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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A história da Galiza em 50 datas

A comissom de história da Gentalha Do Pichel quer disponibilizar em diferentes formatos o seu trabalho recentemente publicado das "50 datas da História da Galiza".
Introduçom 
Oferecemos-vos um resumo dumha parte da história do território onde se assenta o nosso país. É bem certo que só compreende os dous mil anos da nossa era, que é o período em que podemos precisar os factos históricos concretos, e deixamos fora épocas em que a Galiza se desenvolve relacionando-se com o espaço geográfico e cultural a que pertence, a Europa Atlántica, pois após a conquista romana passa a ser a periferia dum centro mediterránico, até que desaparece esse poder na Alta Idade Média, e recupera o seu ámbito de relacionamento. A selecçom de datas nom foi só feita atendendo à sua importáncia intrínseca, como também ao desconhecimento ou ocultaçom, mesmo falsificaçom de factos, situaçons e processos decisivos na história do nosso país. Ao pé de pessoas e acontecimentos bem conhecidos pola imensa maioria do nosso povo, aparecem outros que semelham anedóticos ou menores, mas que consideramos significativos dessa história ocultada ou negada e da projecçom internacional da nossa naçom na história. As pessoas que só conhecem a versom da historiografia oficial espanhola com os seus mitos, mistificaçons e descaradas falsificaçons, acharám em falta umha lendária batalha de Covadonga e um suposto Reino das Astúrias que mutaria num igualmente suposto Reino de Leom, ambos criaçom no nacionalismo espanhol no século XIX, empregando processos tam grosseiros como traduzir os nomes das crónicas mussulmanas Djalikiyah, Yalalika e formas parecidas, e também a Gallaecia das cristás, por Reino de Leom. Desprezamos, portanto, relatos históricos anacrónicos sobre o nosso país, que se cingem à extensom da Galiza administrativa actual e que som inúteis para explicar o nosso passado. O território onde se desenvolveu a organizaçom política nucleada à volta da Galiza foi variando ao longo dos séculos, reduzindo-se. Mas isso nom escusa que a actual potência hegemónica a nível Ibérico apague o passado e o reescreva, na tentativa de legitimar o presente. Também descartamos conceitos falsos como reconquista ou repovoaçom. O primeiro, baseado numha ideologia que constrói umha suposta continuidade entre a breve fase de integridade ibérica do Reino Visigodo e a aspiraçom de Castela-Espanha de conquistar toda a península. Continuidade que se sustentaria na pretensa origem nobre e cortesá do primeiro rei na Gallaecia após a desfeita do Reino Visigodo, Paio. E o segundo, baseado no alegado despovoamento das zonas nom dependentes inicialmente do Reino Cristao do noroeste. Do mesmo jeito, o rei galego Afonso VIII é para a historiografia espanholista Afonso IX, como tivemos ocasiom de ver recentemente, no 800 aniversário da carta de reguengo que este rei outorgou à Corunha em 1208. Estamos conscientes de que a sucessom de datas, reis, batalhas, e factos assinalados nom facilitam ver os demorados processos de que som causa e, sobretodo, conseqüência. Nom podemos reflectir aqui, para além de todo o que aconteceu antes da nossa era, que foi muito e mais importante do que costumamos julgar, mudanças tais como a introduçom dos cultivos mediterránicos na Galiza que, se atendermos ao Códice Calixtino, no século XII ainda era escassa no País. Muito mais rápida foi a mudança na alimentaçom que produziu o milho e a pataca ao pouco da sua chegada da América. Mas a introduçom destes alimentos nom impediu um processo migratório constante que já começou no século XVI, em direçom a Castela e a Portugal. Intensificou-se no XVIII e alcançou caráter maciço no século XIX. Ainda a inícios desse século, a Galiza tinha mais populaçom do que toda Castela. Até os 6% atuais dentro do Estado espanhol, a sangria populacional nom precisa de mais comentários. Insistimos na sobrevivência do monte comunal, desaparecido doutras naçons europeias fundadas por povos germánicos, onde foi usurpado nos alvores da Idade Moderna, com o processo de cercamento de terras que acompanhou a etapa de acumulaçom original capitalista. Acabamos o percurso no fim do século passado, pois certamente nom temos ainda perspetiva para avaliar estes cinco lustros como os 2000 anos anteriores.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Camilo Castelo Branco e "O Amor de Perdiçao"


Camilo Castelo Branco (1825-1890), romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor, foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa e talvez a maior figura do movimento romântico. Teve uma existência muito atribulada, com uma vida que conseguiu ser mais mirabolante que qualquer um dos seus romances.  A história de Amor de Perdição foi a obra mais reconhecida, e non fai muito tempo foi homenaxeda  no Largo Amor de Perdição na Fregessia de Vitoria en Porto. Na estátua están representados os dois protagonistas da obra, presos un acusado de "rapto" e ela por adulterio.


domingo, 4 de dezembro de 2016

A história da "Menina Nua"


Sacado do blogue  "Jardím das delícias"

"Chamava-se Aurélia Magalhães Monteiro e era   conhecida por Lela, Lelinha ou pela “Ceguinha do 9” - para a eternidade   ficará sempre a ser a “Menina Nua” da Av. dos Aliados, estátua que toda a   cidade conhece e aprecia.

Nasceu no dia 4 de   Dezembro de 1910, na freguesia do Bonfim e, pouco tempo antes de falecer,   dizia-me que “tinha sido uma das mulheres mais apreciadas e cobiçadas do seu   tempo...”. Vivia no rés-do-chão do Bloco 9 do Bairro da Pasteleira, numa casa   simples e humilde com flores a enfeitarem a entrada e a sala de jantar."

Um dia convidou-me a   entrar e contou-me um pouco da história da “Menina Nua”.

 «Tinha 21 anos quando fiz de modelo para o Henrique   Moreira, o mestre que fez a estátua: Mais tarde colocaram-me na Avenida dos   Aliados - que belos anos aqueles! Estive duas semanas a “posar” e ainda hoje   recordo com alegria e saudade aqueles momentos de trabalho, pois posso morrer   amanhã que todos ficarão a saber quem era a Lela... Além disso, nessa altura,   dava-me bem com os artistas, era bonita e eles convidavam-me. Andava por toda   a parte, ganhei uns “cobres” com o Henrique Moreira, mas hoje... Resta-me a   consolação de estar ali, de costas voltadas para o Almeida Garrett e de   frente para o D. Pedro IV.»

Perguntei-lhe nessa altura se não tinha havido problemas com   a nudez da estátua - por exemplo, proibições, censuras.
Ela respondeu-me: