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domingo, 26 de março de 2017

A velha e o Dj

 Dj
A velha e o Dj
Deolinda – (Outras histórias, 2016)


Ai eu não sei não sei
Mas acho que andam enrolados na batida
Ela enche-lhe o copo
Ele mexe-lhe o corpo
E pouco a pouco ela já domina a pista
E as miúdas, as miúdas com inveja
Dizem que a velha é maluca
É a maluca da velha
Mas ela dança e desanca as miúdas
Que naquele corte e costura
Mais parecem elas velhas
A velha e o Dj
Ai eu não sei não sei
Mas acho que andam enrolados na batida
Ela enche-lhe o copo
Ele mexe-lhe o corpo
E pouco a pouco ela já domina a pista
E as miúdas, as miúdas descaradas
Riem a imitar a velha
A dançar desengonçadas
E mais ri ela com uma buzinadela
Quando ele abraçado a ela
Se põe na motorizada
E a mota custa muito a pegar!
E a mota custa muito a pegar!
E o fumo faz todas tossir!
A velha e o Dj
Ai eu não sei não sei
Mas acho que andam enrolados na batida
Ela enche-lhe o copo
Ele mexe-lhe o corpo
E pouco a pouco ela já domina a pista
E a mota custa muito a pegar!
E o fumo faz todas tossir!



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Deolinda - Corzinha De Verão (áudio)


Por que é que o sol nunca brilha quando fico de férias
Aos fins de semana ou nos meus dias de folga?
Eu passo os dias a ver gente em fato de banho
Calções e havaiana e eu sempre de camisola

E eu andei o ano inteiro, a juntar o meu dinheiro
Para esta desilusão
Dava todo o meu ouro por um pouco do teu bronze
Uma corzinha de verão
Vento, eu na praia a levar com vento
A rogar pragas e a culpar são pedro
Que mal fiz eu ao céu?
E tento, juro que tento imaginar bom tempo
Espalho o protetor solar e estendo o corpo no museu
Por que é que tudo conspira contra a minha vontade?
Sim, sim é verdade, não estou a ser pessimista
É que a vizinha da cave é sempre a mais bronzeada
Traz um sorriso na cara e não sabe quem foi kandinsky
E eu andei o ano inteiro, a juntar o meu dinheiro
Para esta desilusão
Dava todo o meu ouro por um pouco do teu bronze
Uma corzinha de verão
Vento, eu na praia a levar com vento
A rogar pragas e a culpar são pedro
Que mal fiz eu ao céu?
E tento, juro que tento imaginar bom tempo
Espalho o protetor solar e estendo o corpo no museu
E tento, juro que tento imaginar bom tempo
Espalho o protetor solar e estendo o corpo no museu
O corpo no museu


sábado, 26 de novembro de 2016

Eu tenho um melro - Deolinda

Eu Tenho um Melro - Deolinda
 Eu tenho um melro   - que é um achado. De dia dorme, à noite come e canta o fado.
E, lá no prédio, ouvem cantar... E já desconfiam que escondo alguém para não mostrar.
Eu tenho um melro, lá no meu quarto. Não anda à solta, porque, se ele voa, cai sobre os gatos.
Cortei-lhe as asas para não voar. E ele faz das penas lindos poemas para me embalar.
Melro, melrinho, e se acaso alguém te agarrar, diz que não andas sozinho que és esperado no teu lar.
Melro, melrinho e se, por acaso, alguém te prender, não cantes mais o fadinho, não me queiras ver sofrer.
E não voltes mais, que estas janelas não as abro nunca mais.  Eu tenho um melro que é um prodígio.
Não faz a barba, não faz a cama, descuida o ninho...
Mas canta o fado como ninguém. Até me gabo que tenho um melro que ninguém tem.
Eu tenho um melro... (-Que é um homem!) Não é um homem... (-E quem há-de ser?!)
É das canoras aves aquela que mais me quer.   (-Deve ser homem!) Ah, pois que não!
(Então mulher?)